Sou muito lamechas naquilo que digo, escrevo de uma forma muita densa e inadequada aos tempos correntes. Vou ver se faço um workshop de escrita livre, e se treino um bocado escrever sobre a vida normal, porque não é normal escrever só sobre sentimentos… o que acontece é que eu só escrevo sobre as coisas que me marcam muito. Pois… não sei… talvez volte a escrever quando o souber fazer melhor; enquanto isso, desfrutem o que puderem com os textos que já publiquei, os que gostarem mais, ou os que não desgostarem tanto J. Bem, com amizade me despeço, até uma próxima, e boas leituras. Adeus
Nuno Récio
sábado, 18 de Agosto de 2007
segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
Goo Goo Dolls - Iris
And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now
And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight
And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything seems like the movies
Yeah you bleed just to know your alive
And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now
And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
Cause sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight
And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything seems like the movies
Yeah you bleed just to know your alive
And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
terça-feira, 12 de Junho de 2007
O sol quente de Junho tocava-nos nos ombros desnudados, e o cheiro a maresia inundava toda a parte velha da cidade. Senti-me feliz por estar contigo e dei-te a mão. Chegámos à praia e os nossos pés enterraram-se na areia quente. Contagiado pelo momento, dei-te um beijo e senti alegria sair-me pela pele. Caminhávamos devagar, os sentimentos que nos envolviam corriam a nossa volta. Passámos o pontão e dirigimo-nos para o Inatel à procura de um lugar mais isolado. Esticámos as toalhas e deitámo-nos. Pequenos sinais pontilhavam a tela do teu corpo, quebrando a monotonia da tua pele branca. Olhei-te nos olhos enquanto te fazia festas no braço. Deixei a minha mão percorrer gentilmente os declives do teu corpo enquanto a vida em ti me sorria. As minhas memórias levaram-me a relembrar a alegria inocente e pura que povoara a minha infância. Todos os sentimentos bons que então me invadiam materializaram-se num beijo sentido que te dei na face.
-És tão bonita...
Abracei-te com força e assim me quedei, com os nossos corpos unidos como a prolongação um do outro e a tua respiração quente a tocar-me no pescoço. Eras o tónico que faltava na minha vida. Com medo de o perder, guardei o momento no cofre da minha alma para que dele pudesse usufruir sempre que tu não estivesses por perto. Agradeci aos “pássaros do acaso” que te tinham pousado no rumo caótico da minha vida. Apercebi-me, contente, que a vida merecia ser vivida, e que os momentos bons, por muito efémeros que sejam, suplantam todas as tristezas e apagam todas as mágoas.
-És tão bonita...
Abracei-te com força e assim me quedei, com os nossos corpos unidos como a prolongação um do outro e a tua respiração quente a tocar-me no pescoço. Eras o tónico que faltava na minha vida. Com medo de o perder, guardei o momento no cofre da minha alma para que dele pudesse usufruir sempre que tu não estivesses por perto. Agradeci aos “pássaros do acaso” que te tinham pousado no rumo caótico da minha vida. Apercebi-me, contente, que a vida merecia ser vivida, e que os momentos bons, por muito efémeros que sejam, suplantam todas as tristezas e apagam todas as mágoas.
quarta-feira, 6 de Junho de 2007
I Am The Walrus - Beatles
I am He as You are He as You are Me
And We are all together
See how they run like pigs from a gun
See how they fly
I'm crying
Sitting on a cornflake
Waiting for the van to come
Corporation T-Shirt
Stupid Bloody Tuesday
Man, you been a naughty boy
You let your face grow long
CHORUS:
I am the eggman
They are the Eggmen
I am the Walrus
GOO GOO GA JOOB
Mr. City Policeman
Sitting pretty little policemen in a row
See how they fly Like Lucy in the sky
See how they run
I'm Crying
I'm Crying
I'm Crying
I'm Crying
Yellow matter custard
Dripping from a dead dog's eye
Crabalocker fishwife
Pornagraphic Priestess
Boy, you been a naughty Girl
You let your knickers down
CHORUS
Sitting in an English garden
Waiting for the sun
If the sun don't come
You'll get a tan from
Standing in the English Rain
CHORUS
Expert Texpert
Choking smokers
Don't you think the Joker Laughs at You?
See how they smile
Like pigs in a sty
See how they snide
I'm Crying
Semolina Pilchard
Climbing up the Eiffel Tower
Elementary Penguin
Singing Hare Krishna
Man you shoulda seen them
Kicking Edgar Allen Poe
The Beatles - I Am The Walrus
tradução
Eu Sou A Morsa
Eu sou ele como você é ele como você sou eu e nós somos todos juntos
Veja como eles correm como porcos fugindo de uma arma, veja como eles voamEu estou chorando.
Sentado num floco de cereal, esperando a van chegar
Corporação consulta, estúpida Terça-feira.
Cara, você é um menino perverso, você deixa seu rosto aumentar.
Eu sou o homem do ovo, eles são o homem do ovo
Eu sou a morsa, goo goo g'joob.
O Sr. Policial está sentado
Belos guardinhas em fila.
Veja como eles voam como Lucy no céu veja como eles correm,
Estou chorando, Estou chorando.Estou chorando,
Estou chorando.
Amarelado creme, pingando nos olhos de um cachorro morto.
Esposa do caçador de caranguejo, freiras pornográficas
Menino, foi uma garota malvada que te deixou assim
Eu sou o homem do ovo, eles são o homem do ovo
Eu sou a morsa, goo goo g'joob.
Sentado num jardim Inglês esperando o sol.
Se o sol não vier, você fica bronzeado
Debaixo de uma chuva inglesa.
Eu sou o homem do ovo, eles são o homem do ovo
Eu sou a morsa, goo goo g'joob.
Espertos escritores, sufocantes fumantes,
Você não acha que um brincalhão sorri para você?
Veja como eles sorriem como porcos num chiqueiro,
Veja como eles debocham.
Estou chorando.
Sardinha semolina, escalando a Torre Eiffel.
Um simples pinguim cantando Hari Krishna
Cara, você deve Ter visto eles chutando Edgar Allan Poe
Eu sou o homem do ovo, eles são o homem do ovo
Eu sou a morsa, goo goo g'joob
I am He as You are He as You are Me
And We are all together
See how they run like pigs from a gun
See how they fly
I'm crying
Sitting on a cornflake
Waiting for the van to come
Corporation T-Shirt
Stupid Bloody Tuesday
Man, you been a naughty boy
You let your face grow long
CHORUS:
I am the eggman
They are the Eggmen
I am the Walrus
GOO GOO GA JOOB
Mr. City Policeman
Sitting pretty little policemen in a row
See how they fly Like Lucy in the sky
See how they run
I'm Crying
I'm Crying
I'm Crying
I'm Crying
Yellow matter custard
Dripping from a dead dog's eye
Crabalocker fishwife
Pornagraphic Priestess
Boy, you been a naughty Girl
You let your knickers down
CHORUS
Sitting in an English garden
Waiting for the sun
If the sun don't come
You'll get a tan from
Standing in the English Rain
CHORUS
Expert Texpert
Choking smokers
Don't you think the Joker Laughs at You?
See how they smile
Like pigs in a sty
See how they snide
I'm Crying
Semolina Pilchard
Climbing up the Eiffel Tower
Elementary Penguin
Singing Hare Krishna
Man you shoulda seen them
Kicking Edgar Allen Poe
The Beatles - I Am The Walrus
tradução
Eu Sou A Morsa
Eu sou ele como você é ele como você sou eu e nós somos todos juntos
Veja como eles correm como porcos fugindo de uma arma, veja como eles voamEu estou chorando.
Sentado num floco de cereal, esperando a van chegar
Corporação consulta, estúpida Terça-feira.
Cara, você é um menino perverso, você deixa seu rosto aumentar.
Eu sou o homem do ovo, eles são o homem do ovo
Eu sou a morsa, goo goo g'joob.
O Sr. Policial está sentado
Belos guardinhas em fila.
Veja como eles voam como Lucy no céu veja como eles correm,
Estou chorando, Estou chorando.Estou chorando,
Estou chorando.
Amarelado creme, pingando nos olhos de um cachorro morto.
Esposa do caçador de caranguejo, freiras pornográficas
Menino, foi uma garota malvada que te deixou assim
Eu sou o homem do ovo, eles são o homem do ovo
Eu sou a morsa, goo goo g'joob.
Sentado num jardim Inglês esperando o sol.
Se o sol não vier, você fica bronzeado
Debaixo de uma chuva inglesa.
Eu sou o homem do ovo, eles são o homem do ovo
Eu sou a morsa, goo goo g'joob.
Espertos escritores, sufocantes fumantes,
Você não acha que um brincalhão sorri para você?
Veja como eles sorriem como porcos num chiqueiro,
Veja como eles debocham.
Estou chorando.
Sardinha semolina, escalando a Torre Eiffel.
Um simples pinguim cantando Hari Krishna
Cara, você deve Ter visto eles chutando Edgar Allan Poe
Eu sou o homem do ovo, eles são o homem do ovo
Eu sou a morsa, goo goo g'joob
quinta-feira, 31 de Maio de 2007
Cruzámos a praça e começámos a subir a rua que dava para a Brasileira. As pessoas passavam a correr. Assemelhavam-se-me a formigas, seguindo o rasto umas das outras, muito atarefadas e sem darem conta daquilo que as rodeava, enquanto que nós seguíamos o nosso caminho calmamente, passo a passo.
- Sabe bem passear em Lisboa sem termos pressa.
O tempo deslizava ao nosso ritmo, como que pautado por uma música apaixonada de Gregory Isaacs. As casas antigas que nos espreitavam pelas fachadas, faziam-me lembrar os tempos de infância em que também eu vivia na cidade. Entrámos por uma travessa, subimos uma escada, e passámos por uma rua com três cafés. Todos os três muito acolhedores. Parámos em frente ao do meio: pelas portas semi-abertas viam-se sair alguns tons de música Dub. Entrámos. As paredes estavam forradas com madeira, havia uma mão cheia de mesas, e os empregados, atenciosamente cumprimentaram-nos.
- Dois galões mornos por favor.
Sentámo-nos num canto junto a uma réplica da “ Noite Estrelada” do Van Gogh.
- Tenho vários números da sorte. – Afirmei – O três, o sete, bem… quase todos os números primos. Tenho pequenas brincadeiras como atribuir significados premonitórios às capicuas que vejo nos dígitos do relógio, ou numa matrícula de um automóvel.
Olhei para ti, estavas entretida a fazer-me um cigarro, e disse:
- Bem, mas a razão pela qual eu queria falar contigo, é porque… eu… o que eu quero dizer é que…
Olhei novamente para ti, e apercebi-me que sorrias, e que tudo o que te queria dizer já os meus olhos tinham traído. Sorri-te de volta e saboreei novamente o galão.
- Sabe bem passear em Lisboa sem termos pressa.
O tempo deslizava ao nosso ritmo, como que pautado por uma música apaixonada de Gregory Isaacs. As casas antigas que nos espreitavam pelas fachadas, faziam-me lembrar os tempos de infância em que também eu vivia na cidade. Entrámos por uma travessa, subimos uma escada, e passámos por uma rua com três cafés. Todos os três muito acolhedores. Parámos em frente ao do meio: pelas portas semi-abertas viam-se sair alguns tons de música Dub. Entrámos. As paredes estavam forradas com madeira, havia uma mão cheia de mesas, e os empregados, atenciosamente cumprimentaram-nos.
- Dois galões mornos por favor.
Sentámo-nos num canto junto a uma réplica da “ Noite Estrelada” do Van Gogh.
- Tenho vários números da sorte. – Afirmei – O três, o sete, bem… quase todos os números primos. Tenho pequenas brincadeiras como atribuir significados premonitórios às capicuas que vejo nos dígitos do relógio, ou numa matrícula de um automóvel.
Olhei para ti, estavas entretida a fazer-me um cigarro, e disse:
- Bem, mas a razão pela qual eu queria falar contigo, é porque… eu… o que eu quero dizer é que…
Olhei novamente para ti, e apercebi-me que sorrias, e que tudo o que te queria dizer já os meus olhos tinham traído. Sorri-te de volta e saboreei novamente o galão.
quarta-feira, 23 de Maio de 2007
-Passa me o vinho, se faz favor.
A noite nas janelas chocava com a luz do restaurante. Sentia-me bem na companhia do Pedro: não eram necessárias conversas de circunstância, não havia um choque entre a nossa maneira de pensar, as horas eram minutos quando estávamos juntos.
Pedro...
Vais-te embora e eu nunca mais te vou ver. É triste sabê-lo de antemão. Vais para longe e eu vou ficar neste marasmo, na terra dos não acontecimentos, onde o tempo se cansou de correr. Invejo-te...
Instalou se um silêncio agradável.
- Gostava de viver contigo, havíamos de nos divertir... – Disse-me, quebrando o silêncio.
- Sim, havíamos de nos divertir. Noitadas na Casa do Cerro, noites de teatro e de cinema, festas na nossa casa. Mas vais embora...
- Porque é que não vens comigo? Ias-te dar bem na Austrália, bom tempo, praia, novos amigos. Fazia-te bem uma mudança radical.
- Já sabes porque é que não vou. Prezo demasiado o amor que tenho pela Margarida para a deixar sozinha. Tenho que tomar conta dela, mesmo que tais sentimentos não sejam recíprocos. Não a posso deixar. – Retorqui.
- Tens que aprender a esquecer e a seguir em frente, sabes bem que ela não...
Interrompi prontamente:
- Pedro! Deixa-me com as minhas ilusões... Já sabes que por mais que digas não vou mudar.
Margarida...
Via-te sorrir para mim, e apercebia-me que amar-te era a coisa mais acertada a fazer. Via a minha vida e toda a minha existência espelhada nos teus olhos. Corrias como uma criança de pés descalços sem pudor ou preconceito que limitasse os teus movimentos. Acenavas-me e sorrias-me uma vez mais enquanto te afastavas... senti-te inalcançável e tristemente longe.
A imagem dela esbateu-se no desenho recortado do contorno das garrafas que o empregado transportava na bandeja.
Bebi de um trago o copo meio cheio, na esperança de que o espírito do vinho me levasse os pensamentos melancólicos.
- Vamos embora, temos que nos encontrar com o resto do pessoal na Harmonia. – Disse o Pedro. Furtando-me a demais considerações, levantei-me languidamente enquanto murmurava:
- A vida está-me a escapar por entre os dedos, e eu a ver...
- O que é que disseste? – Perguntou-me o Pedro.
- Nada, nada, deixa.
Descemos a Rua de Avis em direcção às portas da muralha. O vinho começava a surtir efeito, e o chão passava-me debaixo dos pés sem que eu o sentisse. O vento frio empurrava as nossas sombras para as paredes. O carro estava ali perto, e depressa seguimos em direcção à praça do Giraldo. As casas corriam apressadas pela janela do carro, e senti-me bem ao ver que o desenho das mesmas me inspirava um sentimento de tranquilidade, de acalmia e de bem-estar.
Pedro...
A tua amizade faz-me bem, sinto-me rejuvenescido quando estou contigo. Tens toda a sorte do mundo, tens uma mulher que te ama, um emprego estável e um futuro promissor. No entanto, tu e eu não sorrimos tanto como os outros. Somos ambos pessoas com demónios interiores que guardamos cá dentro, bem lá no fundo, junto com as nossas angústias e receios. Somos pessoas reservadas... talvez demasiado. Quando precisares de um ombro amigo, chama-me que eu venho a correr, falaremos os dois das felicidades e desgraças que nos deixam acordados à noite, mas tudo ficará bem, já sabes que podes contar comigo...
A música soltava-se dos altifalantes do rádio, o calor do ar condicionado aquecia-me os pés, e sentia-me demasiadamente pensativo. Fiz um cigarro.
Entrámos para o Harmonia. Estava cheio, uma pequena multidão apinhava-se para ver um concerto de blues numa das salas. Seguimos para o pátio, cumprimentando os amigos que por nós passavam. Sentámo-nos nas cadeiras metálicas com duas cervejas pretas.
- Ainda não devem ter chegado. Devem estar a aparecer. - Disse-me o Pedro.
- Como é que vão as tuas coisas com a Joana? – Perguntei.
- Umas chatices de vez em quando, mas estamos bem. - E sorriu.
Margarida...
Nesse momento desejei também ter as minhas polémicas contigo, para que quando se findassem pudesse dizer que estava tudo bem. Haver momentos de discussão queria obrigatoriamente dizer que os também havia de acordo e empatia, e eu ansiava por os viver. Vi-te lá ao longe, continuavas a correr e a sorrir, e assim continuaste até eu te deixar de ver. Vi abrir-se um fosso entre nós e a terra separar-se em duas para nos afastar.
Deixei escapar um suspiro, entristecido. Apercebi-me de que a minha relação com a Margarida carecia de substância, era a minha tese de mestrado sobre o amor, a minha experiência última com os químicos de tal sentimento, mas não passava disso, de uma tese inaplicável. Era a obra de uma vida construída sobre uma premissa falsa, a de que íamos acabar juntos.
Margarida...
Vou parar de correr atrás de ti, não vale a pena. Havias de continuar sempre a correr. És uma criança livre e eu não te posso aprisionar, amo-te demasiado para isso. Sei que ficarás melhor sem mim. Não te vejo, nem nunca te vi a sério, compreendo agora que sempre vivemos em lados opostos da lua, e a tua imagem nunca foi mais que uma miragem. Entrego ao vento um beijo para que te encontre onde quer que estejas.
- Adeus Margarida...
"Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas"
A noite nas janelas chocava com a luz do restaurante. Sentia-me bem na companhia do Pedro: não eram necessárias conversas de circunstância, não havia um choque entre a nossa maneira de pensar, as horas eram minutos quando estávamos juntos.
Pedro...
Vais-te embora e eu nunca mais te vou ver. É triste sabê-lo de antemão. Vais para longe e eu vou ficar neste marasmo, na terra dos não acontecimentos, onde o tempo se cansou de correr. Invejo-te...
Instalou se um silêncio agradável.
- Gostava de viver contigo, havíamos de nos divertir... – Disse-me, quebrando o silêncio.
- Sim, havíamos de nos divertir. Noitadas na Casa do Cerro, noites de teatro e de cinema, festas na nossa casa. Mas vais embora...
- Porque é que não vens comigo? Ias-te dar bem na Austrália, bom tempo, praia, novos amigos. Fazia-te bem uma mudança radical.
- Já sabes porque é que não vou. Prezo demasiado o amor que tenho pela Margarida para a deixar sozinha. Tenho que tomar conta dela, mesmo que tais sentimentos não sejam recíprocos. Não a posso deixar. – Retorqui.
- Tens que aprender a esquecer e a seguir em frente, sabes bem que ela não...
Interrompi prontamente:
- Pedro! Deixa-me com as minhas ilusões... Já sabes que por mais que digas não vou mudar.
Margarida...
Via-te sorrir para mim, e apercebia-me que amar-te era a coisa mais acertada a fazer. Via a minha vida e toda a minha existência espelhada nos teus olhos. Corrias como uma criança de pés descalços sem pudor ou preconceito que limitasse os teus movimentos. Acenavas-me e sorrias-me uma vez mais enquanto te afastavas... senti-te inalcançável e tristemente longe.
A imagem dela esbateu-se no desenho recortado do contorno das garrafas que o empregado transportava na bandeja.
Bebi de um trago o copo meio cheio, na esperança de que o espírito do vinho me levasse os pensamentos melancólicos.
- Vamos embora, temos que nos encontrar com o resto do pessoal na Harmonia. – Disse o Pedro. Furtando-me a demais considerações, levantei-me languidamente enquanto murmurava:
- A vida está-me a escapar por entre os dedos, e eu a ver...
- O que é que disseste? – Perguntou-me o Pedro.
- Nada, nada, deixa.
Descemos a Rua de Avis em direcção às portas da muralha. O vinho começava a surtir efeito, e o chão passava-me debaixo dos pés sem que eu o sentisse. O vento frio empurrava as nossas sombras para as paredes. O carro estava ali perto, e depressa seguimos em direcção à praça do Giraldo. As casas corriam apressadas pela janela do carro, e senti-me bem ao ver que o desenho das mesmas me inspirava um sentimento de tranquilidade, de acalmia e de bem-estar.
Pedro...
A tua amizade faz-me bem, sinto-me rejuvenescido quando estou contigo. Tens toda a sorte do mundo, tens uma mulher que te ama, um emprego estável e um futuro promissor. No entanto, tu e eu não sorrimos tanto como os outros. Somos ambos pessoas com demónios interiores que guardamos cá dentro, bem lá no fundo, junto com as nossas angústias e receios. Somos pessoas reservadas... talvez demasiado. Quando precisares de um ombro amigo, chama-me que eu venho a correr, falaremos os dois das felicidades e desgraças que nos deixam acordados à noite, mas tudo ficará bem, já sabes que podes contar comigo...
A música soltava-se dos altifalantes do rádio, o calor do ar condicionado aquecia-me os pés, e sentia-me demasiadamente pensativo. Fiz um cigarro.
Entrámos para o Harmonia. Estava cheio, uma pequena multidão apinhava-se para ver um concerto de blues numa das salas. Seguimos para o pátio, cumprimentando os amigos que por nós passavam. Sentámo-nos nas cadeiras metálicas com duas cervejas pretas.
- Ainda não devem ter chegado. Devem estar a aparecer. - Disse-me o Pedro.
- Como é que vão as tuas coisas com a Joana? – Perguntei.
- Umas chatices de vez em quando, mas estamos bem. - E sorriu.
Margarida...
Nesse momento desejei também ter as minhas polémicas contigo, para que quando se findassem pudesse dizer que estava tudo bem. Haver momentos de discussão queria obrigatoriamente dizer que os também havia de acordo e empatia, e eu ansiava por os viver. Vi-te lá ao longe, continuavas a correr e a sorrir, e assim continuaste até eu te deixar de ver. Vi abrir-se um fosso entre nós e a terra separar-se em duas para nos afastar.
Deixei escapar um suspiro, entristecido. Apercebi-me de que a minha relação com a Margarida carecia de substância, era a minha tese de mestrado sobre o amor, a minha experiência última com os químicos de tal sentimento, mas não passava disso, de uma tese inaplicável. Era a obra de uma vida construída sobre uma premissa falsa, a de que íamos acabar juntos.
Margarida...
Vou parar de correr atrás de ti, não vale a pena. Havias de continuar sempre a correr. És uma criança livre e eu não te posso aprisionar, amo-te demasiado para isso. Sei que ficarás melhor sem mim. Não te vejo, nem nunca te vi a sério, compreendo agora que sempre vivemos em lados opostos da lua, e a tua imagem nunca foi mais que uma miragem. Entrego ao vento um beijo para que te encontre onde quer que estejas.
- Adeus Margarida...
"Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas"
terça-feira, 22 de Maio de 2007
sol aos quadradinhos
ha sempre uma primeira vez para tudo. este sabado eu e o meu irmao passámos o fim de semana detidos na esquadra por motivos q nao vale a pena adiantar. contava q nao houvesse primeira vez para isto, mas houve. posso agora dizer q ja sei o q quer dizer ver o sol aos quadradinhos e como é melancolico e deprimente estarmos presos por razoes q o nao justificavam. ja ca estou fora, mas nao deixo de me sentir abatido e abalado por tal experiencia. pode se dizer q foi mais uma bebedeira para a historia. é bom ser livre...
quarta-feira, 9 de Maio de 2007
visto me para sair, as malas estao feitas, o comboio espera me na estaçao. vou partir novamente com esperança de q desta vez seja de vez, q agora consiga finalmente ser eu num outro sitio, num sitio onde ninguem me conheça. guardo no bolso do casaco as memorias das minhas vidas passadas, com as quais aprendo a decidir o futuro. revejo o horario: tres horas separam me de um lugar hipoteticamente melhor. repito para mim proprio: "tem de ser, nao ha outra maneira". foram tantas as vezes q mudei de cidade q ja nao me identifico com nenhuma delas, ja nao sei onde fica o lugar a q eu gostaria de chamar casa. as relaçoes de amizade q mantenho ja nao sao mais do q superficiais, e repito para mim proprio: "tem de ser, nao ha outra maneira". entristeço me ao constatar tal facto, entregue ao destino incerto de uma vida de viajante. vou tentar ser uma pessoa melhor, mas nao aqui, aqui e impossivel. vou mudar, vou novamente jogar os dados da vida à espera de uma jogada de sorte.
o vento levava a chuva a cair obliquamente. era tarde, estava desejoso por chegar a casa, mais desejoso ainda por saber q estavas a minha espera. imaginava te deitada no sofa em frente a televisao com o aquecedor ligado. apressei o passo, fintando as poças, enquanto me divertia a pisar os ladrilhos em xadrez. a rua estreita era iluminada plas poucas janelas q, aqui e alem, emergiam das fachadas escuras. a noite nao estava nada convidativa, a chuva começava agora a cair com mais intensidade e eu debatia me com o chapeu de chuva para evitar q ele voasse. dei uma corrida, e cheguei a casa encharcado e frio, pouco passava das nove.
rodei a chave nas duas fechaduras enquanto pensava - " nao me consigo habituar a viver na cidade". o ossos esperava me servilmente à porta; tirei o casaco e os sapatos, ouvi a agua do duche correr. entrei pro quarto, estavas nua na casa de banho. deste me um beijo e uma festa na cara.
depois de mudar de roupa, instalei me na poltrona antiga q era do meu pai, e o ossos saltou para cima de mim entusiasticamente, lambendo me a cara. ali adormeci, recostado no confortavel pensamento de q estava finalmente em casa.
senti sobre os labios um beijo quente, e despertei com os teus olhos azuis a fitarem os meus. sorriste... apercebi me entao q estava completamente apaixonado por ti. era para te ver sorrir q eu trabalhava com afinco dias e noites, era para te ver sorrir q eu corria para chegar a casa. nao havia a meus olhos no mundo verdade mais pura q o teu sorriso.
jantámos na mesa da sala, ao som de jazz do charlie parker, enquanto fitava a tua cara e descobria nela uma contagiante alegria. trocamos umas ideias sobre arte surrealista: as tuas palavras misturadas com jazz pareciam me magia. deliciei me com tal associaçao de ideias, e sorri te de volta.
ja no sofa, encostei a minha cabeça no teu colo e afagaste me o cabelo carinhosamente. o dia de trabalho duro, tinha me deixado de rastos. facilmente me deixei adormecer pensando na sorte q tinha em te ter.
no meio da escuridao vi a tua cara assustada e dei um grito... acordei imediatamente, vi me sozinho na sala e apercebi me de que tinha sido tudo um sonho, nao havia "nos", nao havia magia, nem tao pouco havia um ossos... e com tristeza deixei correr uma lagrima plo canto do olho.
rodei a chave nas duas fechaduras enquanto pensava - " nao me consigo habituar a viver na cidade". o ossos esperava me servilmente à porta; tirei o casaco e os sapatos, ouvi a agua do duche correr. entrei pro quarto, estavas nua na casa de banho. deste me um beijo e uma festa na cara.
depois de mudar de roupa, instalei me na poltrona antiga q era do meu pai, e o ossos saltou para cima de mim entusiasticamente, lambendo me a cara. ali adormeci, recostado no confortavel pensamento de q estava finalmente em casa.
senti sobre os labios um beijo quente, e despertei com os teus olhos azuis a fitarem os meus. sorriste... apercebi me entao q estava completamente apaixonado por ti. era para te ver sorrir q eu trabalhava com afinco dias e noites, era para te ver sorrir q eu corria para chegar a casa. nao havia a meus olhos no mundo verdade mais pura q o teu sorriso.
jantámos na mesa da sala, ao som de jazz do charlie parker, enquanto fitava a tua cara e descobria nela uma contagiante alegria. trocamos umas ideias sobre arte surrealista: as tuas palavras misturadas com jazz pareciam me magia. deliciei me com tal associaçao de ideias, e sorri te de volta.
ja no sofa, encostei a minha cabeça no teu colo e afagaste me o cabelo carinhosamente. o dia de trabalho duro, tinha me deixado de rastos. facilmente me deixei adormecer pensando na sorte q tinha em te ter.
no meio da escuridao vi a tua cara assustada e dei um grito... acordei imediatamente, vi me sozinho na sala e apercebi me de que tinha sido tudo um sonho, nao havia "nos", nao havia magia, nem tao pouco havia um ossos... e com tristeza deixei correr uma lagrima plo canto do olho.
terça-feira, 8 de Maio de 2007

completamente só, aninhado num quarto escuro sem janelas, gozando o prazer de me encontrar com o meu eu. revejo a materia q estudei sobre o amor, tiro ilaçoes dos erros q cometi, satisfaço me com as vitorias q consegui, dou passos largos no sentido de entender o q é paixao e o q é dor. bebo o sumo das vinhas do sentimento, dou golos na sabedoria e caem me lagrimas de contentamento. um golo e nunca mais serei o mesmo, um pouco mais de conhecimento é ja um rumo diferente, um caminho alternativo plas ruas da vida. embebedo me assim de pensamentos, avido de novas experiencias e sabores, enquanto me enterro nas almofadas. abandono o meu corpo à lassidao tentando adormecer, agarrando as ideias contra o corpo para mais tarde sonhar com elas. sinto me levitar, a bebida esta a fazer efeito; vejo me deitado, com um ar feliz e um sorriso nos labios.
sexta-feira, 4 de Maio de 2007
perdi me completamente enquanto te procurava. num incessante esforço por encontrar a tua essencia plo vento q passava, o toque de cetim da tua pele, a imagem idílica da tua cara, corri o meu mundo interior seguindo apenas um vago rasto de po de sonhos q deixaste à tua passagem. partiste, e levaste ctg o teu calor, deixaste me sozinho ao frio, desnudado, com uma msg ao lado. escreveste q a distancia q nos separava tinha desferido na nossa relaçao uma facada, q ja tinhamos tido o nosso tempo e q eram aguas passadas. o q sinto nao tem passado nem presente, é uma mescla temporal de sentir, nao comecei nem parei de gostar de ti, sempre o fiz. se é obra do acaso ou uma maldosa partida do destino, nao sei, sei apenas q nao me demoverá de te procurar, de me procurar a mim proprio em ti. qd é amor, nao ha distancia q o possa abafar. sera q um amor obsessivo nao e salutar? duas pessoas obcecadas uma pela outra, nao e mais q amor puro, e se isso e crime, entao sou culpado. permanecerei no meu canto, com os meus sentimentos, com as minhas memorias, com as minhas esperanças.
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